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domingo, 29 de maio de 2016

Quando o erro é nosso



Nós mães especiais temos muito apego por nossos filhos. Por mais que a gente tente deixa-los independentes, levar sua própria vida, buscar seu lugar no mundo, em geral filhos especiais já sofreram muito, tiveram problemas de saúde, hospitalizações, dores muitas vezes que pareciam não ter fim.

Por vezes somos tomadas por um pânico gigante... Vamos falar abertamente? Sem medo de ser julgadas? Temos medo que nossos filhos morram, temos medo de perdê-los para sempre, medo que de repente tudo acabe, que todas nossas sensações tenham fim e o sentido de nossas vidas desapareça em um piscar de olhos... e esse medo normalmente é inconsciente, é evitado, é guardado e escondido de nós mesmas, quem dirá dos outros. Nos mostramos fortes, guerreiras, mas acabamos sem perceber sufocando nossos filhos, e como isso prejudica o emocional deles e o nosso por consequência.

Perto de completar seis anos notei Guilherme muito irritado, ele que sempre foi doce e delicado parecia estar sempre por um fio. Fiquei assustada, minha comunicação com ele passou a ser prejudicada, afinal de contas eu não estava identificando o que estava acontecendo com meu pequeno. Ele se estressava facilmente, chorava por coisas bobas, solicitava objetos de adoração antiga como ventiladores, velas, abajures e tentava algumas estereotipias. Eu já estava há algum tempo preocupada com uma importante questão, Gui havia grudado em mim de uma forma muito estranha. Ele passou a me cobrar, quando eu terminava de lhe ajudar com seu banho logo ele me dizia que eu não podia tomar banho, me dizia que eu não podia secar o cabelo, que eu não podia comer, que eu não podia fazer minhas provas esportivas, que enfim, não podia fazer nada em que ele não estivesse fisicamente grudado em mim.

Chegou o momento de reflexão, sou boba por natureza, passo o dia rindo, cantando, rolando no chão com ele. A gente pia, mia, late, rebola, põe comida um na boca do outro com a própria boca, faço vozes desde a voz do bob esponja até a mais recente estreia wisper. O problema é que eu não tinha me dado conta que eu estava incomodando meu filho, eu não estava o deixando respirar, desenvolver sua própria criatividade, cada vez que ele empilhava alguma almofada eu estava ali para bater uma foto, bater palmas e pular feito louca em cima do sofá fazendo alguma voz esquisita de algum personagem de desenho animado... sim, pode parecer estranho, mas ao contrario dele eu sou elétrica, eu erro muito e tenho que me corrigir o tempo inteiro.

Quando me dei conta disso chamei meu pequeno guerreiro para conversar, expliquei a situação para ele, na hora ele não gostou e disse que eu deveria era ficar grudada nele, que tinha até lugar na escola para mim, deixei ele falar, disse que também me doía, mas que tínhamos que crescer, que a fase era nova, tínhamos que aprender novas formas de amar, que iríamos tentar e que ele poderia me mostrar também. Em dois dias vi o olhar do meu filho mudar, vi um menino independente, mais feliz, confiante, que me procurou muito, mas que quando eu o observava escondida eu via uma criança com atitude e uma vontade absurda de conseguir.

Dói reconhecer, mas eu estava sufocando meu filho, passando meu medo, ansiedade, sofrimento e insegurança para ele. Por mais que eu lhe desse palavras de forças, minha voz vacilava e ele se sentia inseguro, sua mente brilhantemente autista sentia uma conexão comigo que entendia que meu corpo era uma extensão do seu. Após conversarmos ele se sentiu livre, triste inicialmente, obviamente, ambos tivemos um luto de uma fase deliciosa de primeira infância, mas que logo podemos perceber que somos fortes o suficiente para encarar o que vem pela frente.

Logo depois de conversar com ele, o levei para dormir, adormeceu rápido, como o anjo inocente que é, aquele semblante guerreiro de sempre, uma vida direcionada a ser feliz pela pureza de seu coração. Depois sentei na ponta da minha cama, expliquei tudo para meu marido, calmamente, ele também entendeu. E por fim, fui para o banho, meu momento, chorei muito, até sair cada lágrima de culpa que pudesse restar, afinal, também sou humana.


Todas somos as melhores mães que nossos filhos poderiam ter, cedo ou tarde percebemos que é hora de mudar, de nada adianta o sentimento de culpa. O importante é abrir o coração, a mente e entender que tudo na vida tem uma razão. Um momento ruim pode ser apenas uma oportunidade de crescimento.
Me despeço de vocês com um provérbio chinês que diz: “Quanto maior for o caos, mais perto estará a solução”.

Grande beijo, cheio de luz e paz. Mamãe.
kenyadiehl@gmail.com
facebook/kenyatldiehl.com

Um comentário:

  1. Parabens🌼muito importante esse despertar,é mão de Deus te orientando atravez dos Anjos.

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