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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O autista e as necessidades especiais

Você já parou para se perguntar porque nossos filhos são chamados de especiais? Sim, eles são especiais sob vários aspectos, principalmente na nossa visão de mãe. Mas o primeiro e grande motivo é que pessoas especiais são assim chamadas por serem portadoras de necessidades especiais, atualmente reconhecido pela ONU como PCD (Pessoa Com Deficiência), termo politicamente correto. Precisam de uma adequação ao mundo como um todo, seja física ou emocionalmente. Nos ambientes em que a maioria das pessoas, mesmo que diferentes entre si, conseguem seguir um padrão único e se adequar, pessoas com necessidades especiais precisam de ajustes para serem inseridos com dignidade, amor e respeito. Autistas já são considerados pessoa com deficiência e têm prioridade na fila do caixa do supermercado, do banco, da lotérica,  pagam meia entrada em diversos locais,têm atendimento prioritário em hospitais, parques de diversões, cinema, vaga de estacionamento e todos os demais locais onde as pessoas com deficiência tem prioridade, com vistas a garantir sua dignidade e respeito. Mas poucas pessoas sabem disso, infelizmente.
  
Provavelmente já aconteceu de você se ver chamando a atenção do seu filho para que ele respondesse algo a alguém. Todos nós queremos ver nossos filhos interagindo. Sonhamos com o dia em que eles irão conquistar seu espaço, ter seu próprio carro, liberdade, trabalho, independência... Mas você já se colocou no lugar dele sem conseguir entender o que se passa a sua volta, preso dentro de si mesmo, ouvindo dez vezes mais alto que o esperado e sentindo infinitas vezes mais profundamente? Tudo isso sem conseguir falar, sem conseguir perguntar e ainda sendo apontado como esquisito e outras coisas mais?

É como uma prisão sem grades, mas uma prisão pior que a de grades de ferro porque é uma grade emocional. Ele olha em volta, pede socorro em silêncio, porém sua dor não é compreendida. Por vezes os pais priorizam a socialização forçada, a visita repetitiva do parente ou a opinião do renomado profissional que orientou expor insistentemente seu filho até ele “aprender”. Mas a dor que essa criança sente dentro de sua prisão emocional é muito grande. 

Posso afirmar por experiência própria que é possível socializar sim, mas antes disso temos que abrir mão de muitas coisas, deixar para trás todos os nossos sonhos imediatos. É como uma cadeira de rodas imaginária que vamos aprendendo a guiar com o passar dos anos e assim vamos conquistando o mundo devagar. Tudo a seu tempo, com respeito e com raízes sólidas. 

Eu, como toda mãe, erro bastante. E quando percebo sou a primeira a voltar atras e pedir descupas, bolar um novo plano, peço a opinião do meu filho, deixo sempre ele participar. Acredito fielmente em parceria. Juntos somos mais fortes.

Quantas vezes parece difícil, mas é tão mais fácil esquecer o mundo lá fora e dar a felicidade que nossos filhos precisam. Basta não se preocupar com o que os outros pensam. Teve uma noite que fomos a um restaurante, ele jantou, viu que não iria conseguir ficar sentado mais tempo. Se levantou, cumprimentou quem estava nas mesas mais próximas, foi até o “sushiman” e as duas moças que estavam atendendo e disse que era autista, perguntou se podia ficar ali perguntando os preços. Ficaram conversando sobre decoração, sobre ser legal, sobre converter tudo em dólar e todos ali se esforçaram para tratar bem meu lindo anjo.

Não é sempre assim que ele é recebido. Mas ele podendo falar que é autista nos da a liberdade de sair de lugares em que não somos bem vindos. Prefiro assim do que simplesmente impor que nos aceitem. Há quem pense diferente e eu respeito e entendo.

E as pessoas com deficiência física? Você já se imaginou precisando se locomover e não conseguindo sair do lugar? Geralmente não pensamos nisso. Mas pense como é difícil a vida daqueles que dependem de uma prótese, muletas ou cadeiras de rodas e não as tem.

Muitas vezes eles sofrem preconceito, não tem seus direitos respeitados, não são vistos com o devido cuidado de que necessitam. Quando falo em cuidado me refiro no sentido de que merecem ter subsidio para sua própria autonomia. Ter sua dignidade, seu direito de ir e vir, ver seus sonhos serem realizados, seus estudos em andamento. Mas isso só é possível quando os enxergamos com olhos de ver, ver no sentido não somente de olhar, mas de ultrapassar esse olhar e sentir o que outro sente.

E é por sentir o que o outro sente e por amar infinitamente as pessoas com necessidades especiais que sempre digo que quando cativamos um ao outro temos necessidade de viver em união e sentir a felicidade de ser completo, todos juntos em um só ser.

Deficiência física ou intelectual, não importa. Estamos juntos nesta vida para aprendermos uns com os outros. O que pensamos em relação ao nosso próximo determina em quem nos tornamos. Por isso não devemos manter pensamentos e sentimentos ruins. Devemos nos colocar no lugar no outro, ser gentis, tolerantes e entender que cada um tem um motivo para ser o que é.



De nada adianta a pessoa se considerar uma boa pessoa se na verdade ela quer que todos sejam como ela. Cobrar comportamentos e atitudes dos demais nos torna pequenos diante de Deus.

A estrada em que caminha o amor é o mesmo chão por onde caminham meus sonhos.

Grande beijo cheio de luz e paz. Mamãe.

3 comentários:

  1. Bravoo minha flor! Amo tds as suas postagens, e aprendo muito à cada dia.bjos de luz♥

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    1. Minha linda, mesmo sem te ver pessoalmente tenho um carinho imenso por ti. Obrigada por fazer parte disso tudo. Amo vc

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  2. Esse texto é maravilhoso, retrata perfeitamente nossa vida diária, realmente nossos sonhos passam a ser um só,juntos sempre, obrigado amiga, escrevemos nossas histórias e nela vamos deixar bons exemplos de amor e perseverança, um dia ainda vamis conhecer nossas famílias e rir de muitas coisas, abraços em todos , Deus os abençoe!

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