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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Não precisamos de cura - precisamos de amor!


As pessoas que convivem com uma pessoa com deficiência sabem o quão verdadeiro é o ato de amar e, também, como é maravilhoso o ato de se doar. Quanto mais se doa, mais se tem, porque a doação vem do amor e o amor não acaba nunca. É preciso doar em todas as formas, doar amor, doar compaixão, doar carinho, doar conhecimento.


Não tenha medo de ficar para trás. Deixe que as pessoas estejam com você, que elas bebam do seu conhecimento, porque juntos somos mais fortes e quanto mais distribuímos o que temos, mais a energia da vida flui. Não guarde para depois o que você pode distribuir hoje, como uma carta na manga para ser o sucesso de amanhã. Deus abençoa aqueles que trabalham em nome do bem e que deixam de lado o ego para a delícia da simplicidade de trabalhar por um mundo melhor.

Estamos vivendo um momento em que todos tem acesso aos sites de pesquisa e querem saber uns mais do que os outros. A disputa pode ser saudável, desde que tenhamos a capacidade de respeitar o limite do nosso próximo. Mas devemos lembrar que cada pessoa é única e a verdade de um pode ser o fracasso para outro.

O mundo tem espaço para todos, por isso existem as mais diversas funções e as tantas outras que vão sendo criadas ao longo do tempo. Da mesma forma, existem vários tipos de beleza interior e física também. Uma pessoa pode olhar um homem em uma cadeira de rodas e pensar “pobre cadeirante”, mas sob outra perspectiva, esse mesmo homem sabe o quanto foi forte para seguir sua vida e continuar vencendo e, ainda, sob uma outra perspectiva uma mulher pode vê-lo como um homem forte e sensual. Não existem verdades absolutas. Existem formas de ver a vida.

Quando falamos em autismo, não falamos necessariamente em crianças. O autista cresce, se desenvolve, se torna um adulto e geralmente fica esquecido. Os autistas de grau mais severo muitas vezes ficam em casa, longe de tratamentos que ao longo dos anos vão tendo alta e a família carente, sem ter condições para pagar um atendimento particular, acaba sem opção a não ser aceitar a dura realidade que os acompanha. Por outro lado, temos os casos mais leves, os aspergers, que tem também infinitas dificuldades, problemas como não conseguir parar em um emprego, em manter um relacionamento, problemas com a sensibilidade sensorial e que, via de regra, como é bem inteligente em alguma área, passa por rebelde, displicente ou mal-educado. Os amigos lhe são raros, os parentes estão distantes e seus corações cada dia mais solitários acabam por vezes entrando em depressão e se entregando às ruinas de um transtorno que em momento algum foi escolha sua.

Autismo não é moda, autismo não é bonito, nem legal, tampouco, autismo não é feio, errado e nem precisa ser a ruína de uma família. O autismo é, em sua essência, uma forma diferente de ser, alguns casos com comorbidades que tornam tudo mais complicado. O autismo não é doença, não pode ser curado, mas pode ser melhorado como em qualquer outro aspecto da vida. Suponha que seu filho, ao invés de ser autista, fosse apenas rebelde e de personalidade difícil. Você faria de tudo para educá-lo e trabalhar nele o que ele tem de melhor, focar em suas habilidades e desenvolver sua capacidade de compreensão sobre as regras da vida. O mesmo vale para o autista, precisa empenho, dedicação e muita luta, mas sempre pode ser melhorado. Ainda que não haja possibilidade de desenvolvimento pleno de sua independência nos casos mais comprometidos, há de se melhorar a qualidade de vida e a satisfação do autista dentro de suas próprias limitações.

Fico triste quando vejo pessoas empolgadas com a possibilidade de “cura” de seus filhos ou netos, mas que não são capazes de amar sem preconceito e ficam tristes ou com vergonha do comportamento diferente que acompanha o autista.

Não precisamos de cura, nem de aceitação. Precisamos ser amados, compreendidos e respeitados em nossa forma de ver a vida.

Sempre vejo locais que adaptam, para uma breve inclusão, uma festa de aniversário, uma brincadeira na escola ou um brinquedo no parque, mas nunca vi um ambiente inteiramente preparado para o autista e que fossem convidados os demais para fazer parte de seu universo por alguns instantes.

Existem ainda muitas mudanças a serem feitas, mas vejo que estamos cada vez mais conquistando nosso espaço, mostrando nossas habilidades, nossa capacidade de nos desenvolver. Estamos conseguindo mostrar para o mundo o amor incondicional de um autista severo e o tanto de gratidão e desejo de viver que eles nos passam através do olhar. O quanto eles precisam conviver em sociedade, frequentar os locais públicos que lhes são seus por direito. As decisões das mães estão sendo mais respeitadas, muito embora, isso ainda seja alvo de duras criticas por parte daqueles que desconhecem o tema.

Vejo que, vagarosamente, estamos deixando de ser números e estamos sendo verdadeiramente reconhecidos como seres humanos que somos. Quanto mais insistirmos, mais teremos nosso espaço respeitado e até mesmo admirado pelos que são mais sensíveis e amorosos.

Mães, pais, avós, tios e tias, educadores, médicos... Precisamos de respeito, de tempo e de cuidado. O amor continua sendo o melhor caminho.

Beijo muito carinhoso, fiquem com Deus.

Kenya Diehl

Empresária, Escritora e Blogueira







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