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domingo, 3 de dezembro de 2017

A experiência autista adulto - eu no hospital


Olá queridos leitores aqui do blog. Hoje vou contar um pouquinho da minha passagem pelo atendimento de urgência hoje (03/12/2017) após ter tido alta com Gui em função da pneumonia.

Próximo do horário da alta do Gui no hospital da criança na sexta-feira eu comecei a sentir dor de garganta e nas pernas. Tivemos alta cerca de uma e meia da madrugada. Entrei no carro, liguei o ar quente, o frio que eu sentia era sobrenatural, dor insuportável nas pernas. Não queria acreditar que uma amigdalite havia se instalado. Não, não agora! Me deitei e adormeci antes do frio passar. Acordei no sábado com muita dor no corpo. À tarde vi minha garganta no espelho com uma lanterna, estava cheia de feridas... Ainda consegui ir no super comprar as coisas para o aniversário do meu marido, Gui estava disposto e eu estava feliz. Tomei quatro comprimidos de torsilax, passei o dia a trancos e barrancos...



Na madrugada de domingo sentia tanta dor e  Gui tossia tanto que mal dormi. De manhã ao acordar vi que não estava nada bem. Então adiantei a comemoração do aniversário do Flávio para o café da manhã. Da mesa fui para cama e não consegui mais levantar. 

Decidi ir para a emergência. A dor era tanta, doía a garganta, os quadris, os joelhos, pés, pescoço, olhos, cabeça... Cheguei no hospital com febre de 39°. Passei rápido para a triagem. Minha mãe foi comigo ao atendimento e esperava na sala ao lado de fora. Saí da sala da triagem e minha cabeça não parava em pé. Meu sensorial estava bagunçado, eu sentia choques na minha cabeça e nos olhos. Minha mãe aproveitou a porta aberta e entrou de fininho sem ninguém ver, ficou em pé ao meu lado, apoiou minha cabeça em seu peito e me acalmou. Chegou a pedir para a enfermeira para me passar logo com a médica. Respeitaram a minha necessidade de ter ela ali e não pediram para ela sair. 


Ao entrarmos no consultório, minha mãe falou para a médica que eu era autista, que eu cuidava do meu filho sozinha e que eu era muito forte. Que para eu estar chorando daquele jeito era porque a dor estava realmente insuportável.

A doutora se interessou em saber do autismo, eu não conseguia nem pensar, só chorava. Minha mãe respondeu tudo e fui tratada com muito respeito. Tinha suspeita de dengue ou chicungunya, talvez tivesse que internar. Logo me transferiram para a sala da medicação, eu não queria pensar em nada e me concentrei em me acalmar. Soro, medicação intra venosa... E o alívio veio. Minha mãe deitou minha poltrona, pediu um cobertor para me acalmar do frio e tapou meus olhos da luz. Me levou ao banheiro, me deu água e ainda por cima ficou me cuidando e lendo sobre as várias formas de se purificar pessoas e ambientes que estejam com energias ruins. 

Exame de sangue, exame de urina e quatro horas depois os resultados. Eu já estava alerta de novo. Voltamos com a médica que confirmou amigdalite. Inguas todas inchadas, sem conseguir engolir, mas a sensação era de calma e de gratidão pela dor ter diminuido consideravelmente. Tive alta e fui para casa.

Eu não sei o que teria sido de mim hoje sem a minha mãe, sem o colo e os cuidados dela. Teria sido uma verdadeira tortura. Mas não foi, ela me cuidou, eu fui respeitada no hospital e agora já estou com antibiótico, anti inflamatório e remédio para dor. 

O hospital Nossa Senhora das graças em Canoas/RS está de parabéns pela sensibilidade e a forma humana com que tratam as pessoas. Nem parecia que eu estava no Brasil. Foi uma belíssima surpresa.

Espero sinceramente que essa seja a última postagem da "série hospital" de fim de ano. Obrigada pelo carinho dos "inbox" que me ajudaram a me sentir melhor. As fases passam e o que fica são as experiências que nos tornam cada vez mais fortes. 



Amo vcs ❤️ 

KenyaDiehl 

Escritora, empresária, autista, mãe de autista e blogueira.

kenyadiehl@gmail.com

2 comentários:

  1. Kenya, às vezes acho que sou Asperger e não sabia... Me identifico tanto com esse relato! Eu comecei a te acompanhar pelo face e vim aqui ver seu blog. Eu era p ter um blog também mas a razão era diferente. Eu tenho 39 anos, e aos30 tive câncer de mama. Tirei o seio direito, fiz químio e rádio. E montei um blog, mas não segui adiante. Aos 34, completamente desacreditada, engravidei de um namorado. Tive a Clarinha, que hoje tem 5 anos e meio, Asperger. Tem sido uma luta mas seus relatos me ajudam muito. Na mesma época em q tive diagnóstico dela, um mês depois descobri q meu câncer tinha voltado e hoje enfrento uma leucemia. Cuido dela é de mim. Esse seu relato do sensorial confuso, eu sempre senti isso qdo criança, mas eu sou TDah. Enfim, me identifico com sua força também. Gostaria muito de te conhecer pessoalmente!!! Sou do Rio!!! Vc tem meu grande respeito e admiração! Deus abençoe vcs sempre! Bjs no coração!

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    1. Lilian querida. Perdão pela minha demora em responder a tua mensagem. Ela foi parar em uma caixa de spam e a vi por sorte agora de manhã. Só posso dizer uma coisa: que história de vida! Vc veio para mostrar a muita gente como é possível lutar. Eu terei uma imensa honra em te conhecer pessoalmente. Na minha próxima ida ao Rio quero te ver. Se vc vier ao sul me avise que terei muita alegria em te receber. Vamos conversando. Beijo muito carinhoso. Fique com Deus

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