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sexta-feira, 16 de março de 2018

Punição por estereotipia em sala de aula...






Este fato pode ser encarado como crueldade, falta de empatia, falta de respeito, abuso de "poder", exposição ao ridículo, agressão moral, pressão psicológica... A nomenclatura vai longe, mas o estrago na vida dos envolvidos vai muito além. Uma dor e uma sensação de impunidade que não há como mensurar. Nos resta é ir atrás de nossos direitos, lutar pela inclusão, por adaptação, mas é de suma importância e urgência que as pessoas tomem consciência sobre os danos que esse tipo de atitude causa na vida de um autista e seus familiares.

Recebi o relato abaixo, de uma mãe que estava com o coração em mil pedaços. Ela pediu que eu divulgasse o que aconteceu com ela e seu filho, pré-adolescente, para que sirva de alerta aos pais em relação ao que acontece na escola com seus filhos.

Muitas vezes, sem perceber, a atitude de um professor que eventualmente esteja mal informado pode colocar um autista em processo de regressão. Isso é muito grave e precisa de atitudes firmes para que o problema não persista.

"Quando descobri o diagnóstico do meu filho, de Autismo Leve. Ele começou a tratar com Psicólogo, Psiquiatra. Em princípio ficou só a indicação de terapia e foi se desenvolvendo e melhorando, enfim, dias melhores como já é de se esperar. A Psicóloga foi até a escola dele e a escola se mostrou bem acessível e interessada. Mas na realidade quando ele manifestou um movimento estereotipado em sala de aula, começou a fazer barulhos com a boca e não conseguiu parar de fazer, a professora tirou ele da sala de aula e como punição ao "barulho"que ele estava fazendo, mandou ele apresentar um trabalho na sala de aula. Fazer um experimento de ciências na sala de aula na frente da turma inteira. E isso gerou um mal muito grande ao Lucas, ele teve uma crise de depressão, ele teve uma regressão...

Depois do ocorrido meu filho não queria mais ver gente, não queria ir para a escola. Tive que levar ele na Psicóloga. Os médicos entraram com a Risperidona, medicamento que ele não tomava. A Psicóloga enviou uma carta para a escola, este atestado, intercedendo e ele, de fato, não apresentou o trabalho e tanto a Psiquiatra quanto a Psicóloga foram até a escola.

É uma falta de respeito, isso mostra que as pessoas não compreendem ainda o que é o autismo, principalmente aqueles que tem autismo leve, o sofrimento no meio social é muito grande. O que se escuta é que "seu filho não parece autista". Estou compartilhando isso com você, para se você quiser compartilhar, para pais que passem por isso não fiquem desesperados, que continuem lutando, os profissionais vão nos auxiliar. Meu filho graças a Deus apresenta melhoras e já temos mais uma reunião com a escola."
Renata Bruno

Não sou de me revoltar com as coisas, mas confesso que ouvir a voz da mãe me contando sobre o que seu filho passou, sendo punido por algo que ele não tem controle, me deu uma dor por dentro que não sei descrever. Precisamos de mais respeito, tolerância e compreensão.

Kenya Diehl
Autista Asperger, mãe de Autista
Empresária, Escritora, Blogueira
E-mail: kenyadiehl@gmail.com
Facebook: facebook.com/kenyatldiehl
Fanpage: Olhando Nos Olhos – Autismo de Dentro Para Fora
Instagram: @kenyadiehl
YouTube: youtube.com/user/kenyadiehl

Um comentário:

  1. Muito triste! Tenho um filho de 4 anos com esse mesmo diagnóstico e por apresentar muito a estereotipia em momentos de alegria, stress, tristeza... Em todos os lugares ele faz isso; não consegue se conter e na rua olham para o meu filho como se fossem um ET. Muito triste a falta de informação e carinho por parte das pessoas...

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