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terça-feira, 10 de abril de 2018

Ah, a mãe do autista...

Antes de julgar uma mãe de autista lembre-se de que ela tem um filho autista... Não use frases como: "eu acho que...", "ouvi falar que...", "você deveria..." "se fosse eu..."

A mãe de autista geralmente está diferente do que ela era antes do autismo, diferente do que ela achou que estaria hoje quando era mais jovem, mais cansada do que gostaria e com menos tempo livre que ela precisaria para fazer as coisas de um jeito melhor...

A mãe de autista que agiu sem paciência, que chorou por bobagem ou que desfez uma amizade não precisa do seu julgamento, ela precisa de colo, carinho, atenção e cuidado... 

Ah a mãe do autista... Se o filho dela já tem mais de seis anos de idade certamente ela já brigou: Com parentes, com amigos, na escola do filho, no hospital, no trânsito, na fila, no banheiro público, no transporte público também... No restaurante, nas férias, com os políticos, professores, cuidadores e até com crianças... Já brigou por seus direitos, por prioridade no atendimento, por dignidade na consulta médica, por terapias decentes... Já brigou com gente sem noção, já ficou sem chão...

Não fale de uma mãe de autista, não comente sobre sua forma física e nem diga a ela que ela precisa largar tudo e viajar um pouco... "Viagem" é gente que não entende a gente é que, em cinco minutos ao nosso lado, acha que sabe o que a gente vive... Ninguém sabe que depois da "vergonha" que passamos na rua, ainda temos uma casa para cuidar, um filho que depende da gente em tempo integral, a atenção contante para que alimentação, medicamentos, sono, barulhos e iluminação esteja em ordem... 

E quando finalmente deitamos a cabeça no travesseiro e pensamos que vamos dormir o filho chama ou "lembramos que esquecemos" de algo importante como pagar uma conta ou desmarcar uma consulta que não conseguimos ir... 

Não separe nossa vida em graus, não diga que o "caso é leve" e, portanto fácil, se meu filho está bem pode ter certeza de que ganhei cabelos brancos e precisei entrar em brigas grandes para elesm estar e continuar bem. Todos nós corremos o risco de uma regressão... O pino pode soltar da granada e vir uma grande explosão!

E no silêncio da noite o coração dispara, o peito dói, a cabeça gira... Será infarto? Não, graças a Deus hoje não, comigo não. É ansiedade, resistência à anseoliticos, excesso de cansaço...

Você já sentiu tanto cansaço a ponto de não conseguir dormir? Doido né? Não! Isso não é loucura - isso é conviver com o autismo!

Sabe o que é mais legal disso tudo? Um novo dia recomeça todos os dias e o sorriso de nossos filhos compensa cada gota de suor e lágrimas que foi derramado na noite interior. Porque não existe amor maior do que o que há na família autista!

Obrigada família autista espalhada pelo mundo. Obrigada a todos as mães que ganhei nessa trajetória, a todas as irmãs e irmãos que me adotaram como se fossem sangue do meu sangue. Obrigada a todos amigos, professores, terapeutas e simpatizantes que me ajudam a lutar por um mundo melhor todos os dias de minha vida - eu amo vocês 

Beijos no coração 

KenyaDiehl 

Um comentário:

  1. Que lindooooo Kenya, nunca li algo tão verdeiro sobre ser mãe de um autista. Sempre digo que só uma mãe azul para entender o que outra mãe sente.

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