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quarta-feira, 11 de abril de 2018

O autismo é a deficiência que ninguém vê 


Fui até a agência dos correios com o Guilherme buscar uma encomenda.
Chegamos lá e não tinha ninguém para ajudar a escolher a senha, fiquei na dúvida sobre pegar a preferencial ou a específica para retirada de objeto. Acabei pegando a senha específica. Nossa senha era 617, estava a recém na 604.
Guilherme estava calmo e eu também. Escolhemos um banco para sentar e esperar. Tinham enormes monitores de TV para avisar cada número chamado. A cada um tocava um alto "piiiii" e na tela aparecia um número de uma cor e um guiche para a pessoa se dirigir até ele.
Haviam algumas lâmpadas apagadas no teto em meio a tantas outras acesas. Atrás de nós um homem estava em pé e falava ao telefone, ele tinha um ritmo linear na voz e parecia falar sozinho, pois ele realmente não parava de falar.
Me levantei com o Guilherme e nos encostamos na parede. Olhei para a frente e vi a porta giratória pela qual havíamos entrado. Comecei a pensar se todas aquelas pessoas precisassem sair dali ao mesmo tempo - seria um horror!
Tentei manter o pensamento no Gui, que em nada parecia se alterar com a situação, brincava e sorria como sempre. A porta girava a cada um que entrava e fazia um barulho na minha cabeça que era um barulho abafado e em movimento. O monitor apitava absurdamente mais alto do que parecia inicialmente e eu ouvia dentro dos meus ouvidos o barulho do meu próprio coração.
Perguntei ao Gui se ele estava bem e ele disse que sim. Começamos a brincar de puxar um ao outro da parede. Quem via a cena certamente achava que pareciamos nos divertir, mas comecei a ver tudo muito borrado, minha boca secou.
De repente ouvi o apito de novo, era a minha senha, 617, para ser atendida no guiche 11. Fui até o onze que nem um furacão, com a certeza de ver a atendente livre para nos receber, mas para meu azar era em um canto atrás da parede e ainda por cima me deparei com um homem preenchendo um formulário bem aonde eu deveria ser atendida. A atendente disse a ele que não tinha pressa e que o próximo esperava...
Por alguma razão este mesmo homem me chamou e me deixou ser atendida. Ele olhou profundamente em meus olhos e sorriu, acho que percebeu o tamanho da minha ansiedade.
Quando fomos sair, as pessoas eram mais rápidas que nós e acabamos demorando um pouco para passar pela porta.
Fiquei exausta, parecia que eu havia feito uma corrida, pedalada ou algo do tipo.
Percebo que ter o Guilherme comigo a cada dia me ensina mais e mais a vencer meus medos, minha sensibilidade e principalmente a minha calma diante de situações de estresse.
O autismo é a deficiência que ninguém vê, é o rosto bonito em uma mente confusa, é extremo de felicidade e que em um segundo se transforma em ansiedade. É viver com medo de não conseguir se controlar, é ter que disfarçar sempre e se sentir frustrado cada vez que não consegue.
Respeite o autista, conscientize-se de que não é fácil, mas é possível se superar se não desistirmos de lutar.
Autismo é vida - me ame como sou
KenyaDiehl®️

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