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terça-feira, 10 de abril de 2018

Saímos da rotina


Hoje saímos da rotina logo cedo. Rodamos a cidade de uber, com uma motorista cheia de vida, de histórias para contar e com uma luz que nos fez bem. Ela nos acompanhou por três municípios em atividades que eu tinha que cumprir. Depois almoçamos em Canoas. Na hora de entrar na terapia Guilherme não queria entrar. Encontramos a terapeuta ainda no saguão do prédio, Gui começou a choramingar, dizer que queria ir para casa. Então minha mãe, eu e a terapeuta tentamos convencê-lo de que iria ser legal, mas como eu conheço meu filho,... falei a ele que eu iria subir na terapia no lugar dele e ele nem se mexeu. Então voltei, peguei ele pela mão e ele veio comigo se arrastando e gritando. Eu mantive a calma e conduzi ele até o elevador em uma queda de braço que para minha sorte eu ainda ganho, rsrsrsrs... 

Ao descer no andar do atendimento ele travou no chão de novo. Fui nessa disputa com ele até a sala, ele se grudou na porta com as mãozinhas, eu continuei puxando e entrei com ele. Sentei ele na poltrona e disse que o esperaria ali ao lado na recepção. 

A terapeuta dele é muito esperta e muito boa no que faz, seguiu falando com ele, conversando como se ele não estivesse reclamando de estar ali, logo ele foi se acalmando e entrou na brincadeira com ela. Parecia que nada havia acontecido.

De repente minha cabeça parecia que ia explodir e eu quis chorar. Abri minha mochila e comecei a trabalhar, em um ritmo muito rápido e com a ajuda da minha mãe, fomos montando os envelopes, anotando os endereços e colando as bordas. Fizemos onze pacotes que depois levamos aos correios.

Na volta, pegamos um ônibus. Gui veio fazendo o maior sucesso no ônibus e, como num passe de mágicas eu via sorrisos brotando dos rostos das pessoas que até então estavam sérias.

Descemos perto de casa, passamos na farmácia e voltamos caminhando. Chegamos com calma - xixi, lavar mãos, tomar água e... Sentei no sofá e o chamei. Elogiei ele pelo dia que tivemos e por toda a luz que ele levou por onde passou, mas reforcei que o escândalo na entrada da terapia não estava certo. Ele ficou me olhando com aqueles olhos gigantes e me falou: "desculpa mamãe, a culpa foi toda minha!". Abracei ele bem forte e fomos ver um pouco de televisão.

Não se desesperem quando seus filhos derem "show" na rua, não percam a cabeça e não façam escândalo junto, apenas tomem uma atitude, com pulso firme e carinho. Muitas vezes nem o próprio autista consegue identificar a razão da confusão, mas se deixar a situação por conta da criança sem fazer nada, certamente irá se criar um hábito ruim de espernear quando não quiser fazer algo...

Lembre-se de que esses acontecimentos não são ruins, eles são etapas que acontecem para que possamos progredir sempre. 

Beijos e linda noite a todos.

KenyaDiehl 

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