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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Autismo e sexualidade

Ao descobrir o autismo nos filhos, uma das preocupações dos pais é sobre a sexualidade, pois existe o medo de que haja o desequilíbrio e a desproporcionalidade dessa importante etapa da vida.

Importante ressaltar é que todos temos um organismo e que este funciona independentemente do autuismo, hormônios são produzidos diariamente, o corpo muda com o passar dos anos e os interesses também. 

Autistas leves muitas vezes conseguem manifestar verbalmente esse desejo de descobrir o próprio corpo e de interagir com outros, autistas mais severos podem não ter essa habilidade e, portanto, a necessidade de atenção é ainda maior. 
Mas o que fazer com o filho ou filha que manifestam a descoberta desse novo universo sexual? Geralmente isso acontece sem malícia e a exposição é grande, um toque, um sentar diferente, um olhar estranho. É preciso orientar, deixar claro que trata-se de uma situação em que deve haver preservação e intimidade e que não pode ser presenciado por outras pessoas. Do mesmo modo que não saímos por aí mostrando as senhas de nossos cartões, momentos de prazer sexual também precisa ser algo muito discreto e pessoal.
Permita que seus filhos se conheçam, se toquem e se descubram, pois tentar proibir pode fazer com que a situação se agrave e saia de seu controle. Apenas oriente para que isso aconteça no quarto, no banho e que haja um limite no sentido de que eles não pensem apenas nisso, distraia e desvie o foco quando perceber que está demais.

Minha maior preocupação ao abordar esse tema é para que os pais estejam atentos aos seus filhos autistas, pois a ingenuidade pode os colocar em situações de risco, exposição a abusos, violência e até mesmo à gravidez. 
Esteja junto, você conhece seus filhos melhor do que ninguém e sabe até onde vai sua capacidade de compreensão sobre o que e como lhes é falado. Na dúvida, peque pelo excesso, mas prefira que eles sempre irão a banheiros públicos acompanhados, inclusive na escola. Todo cuidado é pouco quando se trata da preservação da saúde física e mental de nossos filhos. 

Não tenha medo, não sinta vergonha, fale sobre si e se envolva com os sentimentos de seus filhos, a troca de confiança é o que mais torna possível o crescimento da família como um todo. 

Um beijo muito carinhoso, fiquem com Deus.

Kenya Diehl
Autista, mãe de autista
Escritora, Palestrante e lutadora na conscientização do autismo.

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