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domingo, 7 de outubro de 2018

É normal não querer o autismo...


Qual mãe nunca fechou os olhos e por alguns instantes e imaginou seu filho autista sem o autismo, vivendo normalmente e fazendo tudo que as outras crianças fazem? Sem precisar de adaptação, sem correrias e sem terapias ou professores auxiliares...
Quem nunca?
Quem nunca sonhou em fazer uma pergunta para o filho e ter uma resposta adequada ao questionamento feito? 
Qual mãe não gostaria de saber que no dia que morrer poderá descansar em paz?

Somos mães e somos reais, acertamos e erramos como todas as demais.

Nós somos fortes, brigamos com o mundo para defender nossos filhos, vivemos com as emoções à flor da pele, nos chamam de louca, de exigente, sem noção...
E somos, mas como viver lutando por um espaço que ainda sequer existe?
Estamos na busca de conseguir um espaço novo, onde nossos filhos sejam aceitos, respeitados e tratados com dignidade...
O preço dessa busca e dessa constante "vitória" é perder todos os dias alguma amizade, algum familiar, vizinho ou terapeuta...

É a nossa dura realidade, em que muitas vezes até sabemos que estamos erradas, mas já não temos mais a opção de nos desculparmos... Porque fomos julgadas e por consequência esquecidas.

Importante é sabermos que fizemos a nossa parte, que a recompensa sempre chega em forma de um sorriso, ou de um "mamãe te amo"...

Somos testemunhas do amor mais puro que existe na face da terra e quando todo mundo vai embora o que fica mesmo é tudo aquilo que cultivamos no coração de nossos filhos e sabemos que cada segundo valeu a pena. Percebemos que ao olharmos para trás transformamos lágrimas em ouro e que a diversidade finalmente nos mostrou quem é, quem foi e quem será para sempre de verdade.

Kenya Diehl
Autista e mãe de autista
Escritora, Palestrante e Blogueira

4 comentários:

  1. Você conseguiu traduzir em palavras os sentimentos mais profundos..
    É motivador e inspirador ler relatos como este.
    Um beijo no seu coração! 💋

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  2. Seus textos são maravilhosos. Eu como mãe de autista me identifico com cada linha

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