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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O autismo e as festas escolares

Quem tem um filho autista em idade escolar entende o quanto é difícil para nós, pais e mães, a época de festas, apresentações e passeios. 

O autista precisa de rotina para se sentir seguro e protegido e, assim, ter maior chance de ter um bom desenvolvimento. Mas todos sabem também o quanto é difícil chegar a alcançar essa confiança, pois o ambiente escolar é um desafio devido aos barulhos, a imprevisibilidade das crianças, cheiros, movimentos, atividades e aprendizados que muitas vezes não fazem parte do interesse da criança com autismo.

São muitas reuniões, entrevistas e tentativas de experiência com professores auxiliares ou monitores (quando se tem, porque apesar da lei, isso acaba sendo um benefício que poucos conseguem)... Mas enfim, rotina estabelecida, lanche especial, chegar mais tarde, sair mais cedo, currículo adaptado e de repente - vem a páscoa, o dia das mães, a festa junina, o dia dos pais, os jogos de inverno, o dia das crianças, a semana literária... Todas essas situações deixam nossos filhos no limite do emocional, desorganiza as idéias deles e os torna ansiosos e impacientes. Com o tempo conseguem participar dos ensaios, mas não das apresentações. Muitas pessoas não entendem o porque disso, mas não é difícil de entender, pois no ensaio estão os colegas e os professores, mas na festa há muita gente, convidados de fora, turmas unidas em um mesmo saguão ou pátio, caixa de som, microfones e tudo o mais. 

Então sempre tem que aquele que vem e fala: "Ah! Mas você precisa acostumar ele aos poucos, sair da rotina, pois o mundo será assim sempre!"

Ora, por óbvio que o mundo sempre será mundo, tão óbvio quanto o fato de que o autista sempre será autista. A diferença é que para se criar um adulto capaz de cuidar de si, é preciso antes de mais nada lhe dar a segurança de que precisa para que se desenvolva nos anos iniciais de sua longa e desafiadora vida. Quando as pessoas entenderem que tudo é uma questão de tempo e paciência, irão parar de forçar os seus filhos e alunos a fazerem aquilo que ainda não estão preparados para fazer e terão resultados bons e duradouros.

Convide, estimule, encontre alternativas, mas jamais exponha uma criança autista a algo que lhe gere angustia e mal estar. No autismo é tudo muito intenso e as lembranças são muito mais do que cenas que se passam em nossa memória, são sensações que nos acompanham pelo resto da vida e que determinam a forma como somos capazes de enxergar o mundo.

Dê vida à sua vida e à vida de seus filhos, viva com dignidade e respeito a todos os seres. Doe mais do que dinheiro ou objetos, mas sim o que há de melhor em você, seu amor e sua sinceridade. Seja verdadeiro com o próximo e aprenda a não mentir para si mesmo, encontre seus valores e siga-os acima de tudo. A sua mente precisa estar consciente para que você encontre a verdadeira felicidade.

Liberte-se e viva!
Autismo é vida - me ame como sou

Kenya Diehl
Autista e mãe de autista
Escritora, Consultora em Autismo e Palestrante
www.kenyadiehlautismo.com.br

2 comentários:

  1. Texto mais q propício e com certeza o mais verdadeiro possível ...
    Parabéns Kenya você é excelente nas palavras e fala não somente ao nosso coração mas também a quem quer que seja . Vou compartilhar ... 😘

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    1. Leandra querida, obrigada pela mensagem e pelo carinho. Adoro você. Beijos no coração.

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